" Eis que começa a discussão: sobe ao Parlamento o problema da poluição do rio Alviela, mercê das duas petições assinadas por cerca de 10 mil cidadãos dos concelhos de Santarém e Alcanena.
(...)
As bancadas só enchem para a votação, porque depois é tempo de os deputados rumarem às golfadas até à saída. São cerca de 30 os que resistem quando os olhos das galerias voltam a deter-se no centro. Do outro lado, na fiada de cadeiras destinadas ao Governo, não se vê vivalma, porque esta, diz o presidente da assembleia, Jaime Gama, é uma questão "dirigida ao órgão de soberania assembleia e, portanto, deve ser só a assembleia a estar presente no debate". Eis que começa a discussão: sobe ao Parlamento o problema da poluição do rio Alviela, mercê das duas petições assinadas por cerca de 10 mil cidadãos dos concelhos de Santarém e Alcanena.
As galerias estão silenciosas, porque quando decidiram aplaudir a deputada que lhes encabeçou a causa, a independente Luísa Mesquita, Jaime Gama ameaçou com a expulsão. Mesquita, ex- PCP, desenhava então o cenário do "crime de Alviela" que a ditadura cometeu e a democracia apadrinhou, dizia: uma estação de tratamento de águas residuais (ETAR) dos anos 80, inacabada e disfuncional, que esguicha "cheiros nauseabundos" para a população de Alcanena e a sua teia picotada de colectores de esgotos que "tem vindo a contaminar os solos e os lençóis de água subterrâneos". "Considerar que esta matéria é da responsabilidade de outros, e que não é também do Governo, é no mínimo caricato e inqualificável". E pediu um "programa urgente de requalificação ambiental do rio Alviela que assegure a limpeza das margens, a recuperação dos açudes e das quedas de água, a intervenção na ETAR e em todo o sistema periférico e o caudal ecológico a que a EPAL [Empresa Portuguesa de Águas Livres] está obrigada".
As intervenções seguintes seguem a pauta: saudação (às populações), lamentação (pelo problema que se arrasta), ataque (à oposição). Ora, é o PS que continua alheio à dita "vergonha nacional", ora é a direita que reprovou a afectação de fundos para o Alviela no orçamento, ora a esquerda que só faz "propostas mirabolantes sem dizer onde se vai buscar dinheiro". Às promessas de vigilância das outras cores, o PS responde com um "o Governo sabe e apoia".
No final, o autarca de Santarém, Francisco Moita Flores, fez o balanço ao PÚBLICO: "Não há ninguém inocente, todos nós somos cúmplices dos erros cometidos, mas também podemos ser todos parceiros na solução. Houve demasiada partidarização, mas gostei do entusiasmo. O próximo passo é pedir uma audiência ao secretário de Estado do Ambiente".
Estado reticente
A regeneração do Alviela requer entre 20 e 25 milhões de euros. Os autarcas pretendem que o Governo deixe o projecto concorrer aos fundos europeus do QREN no âmbito do programa operacional temático, mas o executivo tem insistido com os municípios para que se candidatem a nível regional, o que significaria menos dinheiro comunitário, Segundo Moita Flores, a recuperação do Alviela só será viável se Bruxelas pagar entre 15 e 18 milhões de euros, ficando o restante a cargo das autarquias e empresários locais. "
As bancadas só enchem para a votação, porque depois é tempo de os deputados rumarem às golfadas até à saída. São cerca de 30 os que resistem quando os olhos das galerias voltam a deter-se no centro. Do outro lado, na fiada de cadeiras destinadas ao Governo, não se vê vivalma, porque esta, diz o presidente da assembleia, Jaime Gama, é uma questão "dirigida ao órgão de soberania assembleia e, portanto, deve ser só a assembleia a estar presente no debate". Eis que começa a discussão: sobe ao Parlamento o problema da poluição do rio Alviela, mercê das duas petições assinadas por cerca de 10 mil cidadãos dos concelhos de Santarém e Alcanena.
As galerias estão silenciosas, porque quando decidiram aplaudir a deputada que lhes encabeçou a causa, a independente Luísa Mesquita, Jaime Gama ameaçou com a expulsão. Mesquita, ex- PCP, desenhava então o cenário do "crime de Alviela" que a ditadura cometeu e a democracia apadrinhou, dizia: uma estação de tratamento de águas residuais (ETAR) dos anos 80, inacabada e disfuncional, que esguicha "cheiros nauseabundos" para a população de Alcanena e a sua teia picotada de colectores de esgotos que "tem vindo a contaminar os solos e os lençóis de água subterrâneos". "Considerar que esta matéria é da responsabilidade de outros, e que não é também do Governo, é no mínimo caricato e inqualificável". E pediu um "programa urgente de requalificação ambiental do rio Alviela que assegure a limpeza das margens, a recuperação dos açudes e das quedas de água, a intervenção na ETAR e em todo o sistema periférico e o caudal ecológico a que a EPAL [Empresa Portuguesa de Águas Livres] está obrigada".
As intervenções seguintes seguem a pauta: saudação (às populações), lamentação (pelo problema que se arrasta), ataque (à oposição). Ora, é o PS que continua alheio à dita "vergonha nacional", ora é a direita que reprovou a afectação de fundos para o Alviela no orçamento, ora a esquerda que só faz "propostas mirabolantes sem dizer onde se vai buscar dinheiro". Às promessas de vigilância das outras cores, o PS responde com um "o Governo sabe e apoia".
No final, o autarca de Santarém, Francisco Moita Flores, fez o balanço ao PÚBLICO: "Não há ninguém inocente, todos nós somos cúmplices dos erros cometidos, mas também podemos ser todos parceiros na solução. Houve demasiada partidarização, mas gostei do entusiasmo. O próximo passo é pedir uma audiência ao secretário de Estado do Ambiente".
Estado reticente
A regeneração do Alviela requer entre 20 e 25 milhões de euros. Os autarcas pretendem que o Governo deixe o projecto concorrer aos fundos europeus do QREN no âmbito do programa operacional temático, mas o executivo tem insistido com os municípios para que se candidatem a nível regional, o que significaria menos dinheiro comunitário, Segundo Moita Flores, a recuperação do Alviela só será viável se Bruxelas pagar entre 15 e 18 milhões de euros, ficando o restante a cargo das autarquias e empresários locais. "
O nosso grupo considera bastante importante que este tipo de problema seja discutido em parlamento, mas como se pôde verificar muitos políticos não põem os seus interesses de lado para o bem do país.
ResponderEliminarAchamos que tem de haver uma união não política, para que se consiga recuperar uma das mais importantes nascentes cársicas de Portugal.
Até agora o que já foi feito para recuperar este rio? Quais as ações que neste momento estão em pensamento para o recuperar?
Gostaríamos que nos informassem como a população pode intervir para ajudar a recuperar um dos mais importantes patrimónios aquáticos de Portugal?
Continuação de bom trabalho :)
Obrigada pelo vosso comentário.
ResponderEliminarConcordamos com os vosso ponto de vista, pois também somos cidadãos e preocupamo-nos com os problemas ambientais.
Quanto às duas primeiras questões iremos, brevemente, colocar notícias sobre o assunto.
Na questão, em "como a população pode intervir para ajudar a recuperar um dos mais importantes patrimónios aquáticos de Portugal?", do nosso ponto de vista é também uma obrigação como cidadão prevenir e denunciar este tipo de situações.
Mais uma vez obrigada pelo comentário e estejam atentos às novidades :)